sexta-feira, 29 de julho de 2011

sobre dragões que existem

dragões são criaturas presentes no folclore das mais variadas culturas. são colossais, enormes, magníficos, belos e assustadores. são espertos, rápidos, inteligentes e extremamente sábios. cospem fogo, voam e podem ser convocados se você juntar todas as esferas do dragão. comem São Jorge no café da manhã, devastam uma ou duas vilas no almoço. para o jantar, uma donzela virgem. eles não descuidam do peso. guardam imensos tesouros e elaboram complicadas charadas. toda magia do universo reside nos dragões. agora, imagine um dragão bebê. imagine mais, imagine dois. imagine cria-los do nada e ve-los crescer dentro de você. eu tenho dois dragões. eles não são mais bebês, infelizmente, embora eu ainda os trate e os veja assim. o fato é que eles, os dois, tem a habilidade incrível de me trazer alegria, tem uma facilidade enorme de diluir carinho em brincadeiras e fazer risadas surgirem de onde só havia tédio. mas cuidar de dragões não é facil, acreditem. às vezes você tem que segura-los e virar a cara pra eles, dar um ou dois gritos e olhar com um olhar de reprovação. às vezes você não sabe o que fazer e os faz ir embora voando, e só te resta sentar e esperar que eles, um dia, voltem. mas, no final das contas, é tudo uma questão de saber aguentar as mordidas e as baforadas de fogo na cara. é tudo uma questão de valorizar os sorrisos que eles te dão antes que eles voem pra longe. eu tenho dois dragões que levo comigo para toda parte, embora eles nem sempre estejam aqui. eu espero que vocês tenham seus proprios dragões, em casa, na rua, no colégio, em outro estado. e eu espero que vocês estejam com eles, quando faltar o equilibrio pra ficar de pé, ou quando eles não tiverem uma cama pra dormir. no final as queimaduras valem a pena.

sábado, 18 de junho de 2011

carinho

eu sei que daqui a um tempo, pouco tempo, vai ser bem mais difícil te ver me chamando de chato ou me mandando ir pra uma porra. não sei porque, acabei de perceber que isso é importante pra mim. não é que eu não goste de ouvir "eu amo você", mas eu prefiro te ver me xingando todo dia do que te ver dizendo que me ama dizendo de vez em nunca. porque eu sei que "chato" quer dizer "amigo" e que "vai pra uma porra" quer dizer "fique aqui comigo", e "lindo" quer dizer "eu fiz uma merda muito grande, por favor, me desculpe". e agora, pensando no que era a rotina, eu percebo que vou ouvir mais "eu to com saudade" do que "bom dia" da sua parte. mas nem por isso eu vou chorar e correr pra te abraçar e segurar a sua mão e sentar do seu lado pra assistir o por do sol numa praia da california. você sabe, não é assim que a gente funciona. existem cicatrizes que provam isso. e, aturando suas unhas e dentes e choros e desabafos e risos e tapas, eu vou estar sempre contigo. sabendo o que você pensa enquanto tá calada, me queimando em ciumes enquanto você fala dos seus peguetes, criticando até o fim o seu gosto musical, duvidando até a morte da sua capacidade de tirar a CNH. porque, assim como dizer "não vá embora" não vai te fazer ficar, eu não preciso te ver todo dia pra gostar de você, nem preciso ouvir "eu te amo" pra saber que é verdade.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

paciência

papai,eu não quero mais saber. me encheu até as tampas esse puritanismo hipocrita. me encheu até as tampas essa alienação voluntária. eu pensei em fugir pra praia, pro hawaii ou pra outra praia tropical qualquer, pra nunca mais usar camisa nem cueca e viver de sol e mar e reggae, com um violão e um culelê e uma prancha e uma garrafa de vodka ou de tequila, mas minha consciencia me doeu. pensei em fugir pro mato, pra alexandria ou pro interior de mato grosso, pra nunca mais usar tênis nem carro e viver de estrelas e ar e passarinhos, com uma viola e uma sanfona e um cavalo e uma garrafa de cachaça ou de vinho, mas minha consciência me doeu. pensei em fugir pro deserto, pro sertão ou pro texas, pra nunca mais usar xampú nem bermudas, e viver de estrada e brigas e rock 'n' roll, com uma guitarra e uma espingarda e uma harley davidson e uma garrafa de uisque ou de cerveja, mas minha consciencia me doeu. se abster não é solução, papai, mas não dá pra lutar contra o sistema. pelo menos não seguindo as regras. por isso, papai, carregue sua .38. eu vou precisar daquele bastão de baseball, daquelas correntes e de toda sua gasolina. e me de esse machado. me de aqui esse machado, papai, que eu vou resolver isso. o mundo lá fora me espera e minha consciencia não pode ficar esperando pela ordem natural das coisas.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

resumo.

hoje eu brinquei de luta com o meu irmão. foi como realizar um sonho. se lutar por si só já é um passatempo altamente relaxante, lutar com o irmão é uma exeperincia única. foi como uma vingança por toda azucrinação, infernização e implicância. irmãos mais novos tem esse tipo de hobby assassino. o bom da brincadeira é que ficou tudo bem, meu sentimentode vinganças retido diminuiu, mainha não reclamou de nada e ninguém se machucou exceto ele. foi ótimo. mas nem tudo foi ótimo de ontem pra hoje. eu descobri uma coisa ruim. bem ruim. decepcionante, na verdade. vejam, eu estava até empolgado com a ideia de cursar direito e tudo. tão animado que fui até o site da ufersa conferir meu horário. abri bem animado o link "HORÁRIO DIREITO 2011.1", esperei carregar. quando eu vejo, a segunda (SEGUNDA) tem quatro (QUATRO) aulas de "PRINCIPIOS DA FILOSOFIA E DA SOCIOLOGIA". agora eu penso seriamente em fazer engenharia. é sabe qual o pior? "PRINCIPIOS". sabe o que isso significa? que vai continuar. mas isso não é o fim do mundo. teem acontecido coisas legais também. eu fiz amigos na rua, e isso é novidade pra mim. pode me achar que eu não tive infância porque eu nunca tive um nitendo, nunca pulei o tutty frutti e não sei andar de bicicleta. mas se você disser queeu não tive infância porque eu nunca tive amigos na minha rua, eu te digo que não é verdade. e é muito bom, ter alguém que more ao lado e te faça rir, mesmo que esse alguém tenha quase o dobro de sua altura e faça uma bacia de brigadeiro tão grande que tenha que mexer com uma vassoura. e assim eu vou, curtindo o meu restinho de liberdade, escutando meus 40gb de música, nandando pra aplacar a ira de bebês. e eu não reclamo de absolutamente nada.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

a loira e a montanha (narrativa-continuação)

em cinco ou dez minutos de corrida, o jovem alcançou o centro da pequena cidade litorânea. era um domingo, ele conseguiu se lembrar, e as pessoas que superlotavam o lugarejo começavam a acordar. e acordando iam comprar pão, iam até a praia, iam ligar seus carros de som. o barulho e o excesso de pessoas faziam sua cabeça trepidar quase que literalmente, mas seu objetivo se mantinha claro em sua mente. ele precisava encontrar, precisava ver, precisava falar, e principalmente precisava... então ele viu. a jovem de cabelos loiros parada ao lado de um golf branco esbanjava poder e beleza simplesmente por ali estar, inerte. sem falar, sem se mover, a simples noção de sua existência fazia saber ao mundo que ainda havia beleza, e que boa parte estava com ela. o sol refletia em seu cabelo e em seu corpo bronzeado de tal maneira que o jovem perdeu o resto do folêgo que lhe sobrara após a corrida, e sem perceber ele atravessava a rua zumbificado. foi quando os olhos azuis da moça fitaram diretamente os seus, e, de repente, mais lapsos de memória invadiram sua consciência. "Merda" pensou ele enquanto se virava para o outro lado, ele tinha que sair dali. não deu tempo. uma latinha de cerveja zuniu a poucos milimetros do seu ouvido e explodiu no muro atrás dele. "SEU FÉLA DA PUTA". "merda, merda, merda" pensou ele, se virando de volta para o lado da garota. por um instante ele achou que dois caras grandes vinham em sua direção. ledo engano. um brutamonte digno dos mais ferozes ringues de vale tudo marchava quase fazendo o chão tremer ao seu redor. enquanto decidia para que lá correr, ele foi acometido por um lapso de memória: - acabara de chegar na festa com os amigos e já tomara algumas boas doses de vodka. uma loiraça dançava cada vez mais perto dele, que também se apróximava. não planejava ficar com ninguém aquela noite, mas tirar uma casquinha não era pecado. a moça se exibia descaradamente, "tão bonita e tão devassa, meu Deus", ele pensava. alguma coisa pesada lhe acertou o ombro, e ao se virar ele deu de cara com uma parede de músculos que indagava o que ele 'tava pensano' e 'quálera dele'. antes que ele formulasse uma desculpa convincente, a loiraça o virou e roubou-lhe um beijo tão intenso e tão rápido que o embriagou mais do que toda a Absolut consumida. o que aconteceu a seguir foram os instantes mais demorados de sua vida. o homem que mais parecia um touro o puxou com uma mão enquanto desferia um golpe com a outra. o jovem se esquivou, talvez auxiliado pelos deuses da vodka. num acesso de coragem, desferiu um direto com seu braço livre no rosto do homem touro e sentiu sua mão rachar. imediatamente, mas não antes de fazer uma careta de espanto e dor, saiu correndo dali, rumo ao lugar onde seus amigos estavam "loira! deu em cima! namorado! grande!" e em dois minutos eles tinham saído dali e procuravam rindo outro lugar pra curtir. - e ali estava ele, constatando que por trás dos músculos, das roupas de marca e do dinheiro do seu pai, aquele brutamontes, quem diria, tinha no mínimo a capacidade de guardar fatos recentes. então ele decidiu pelo improvável, o insano. talvez por não querer ser um covarde, talvez porque suas pernas não se mechessem, talvez porque tivesse vontade de morrer de uma vez por todas, ele resolveu parar e esperar. enquanto ele pensava na besteira que falara na noite anterior, o brutamonte atravessava a rua com sua cara de ira impecavelmente imbecil. mas, olhando a luz do sol, sua cara imbecil parecia estranhamente familiar.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

molhadinha.

as tardes de sábado são sempre iguais. são ressacas da sexta a noite na balada ou ressacas da sexta a noite no msn. são o começo do dia quando se acorda às três da tarde. são o merecido de descanso após uma manhã de aula no pré. são a prévia da noite de sábado. mas geralmente as tardes de sábado são muito chatas. abro uma ou duas conversas no msn, abro um blog que não tem novas postagens e assim a vida segue. até que começa a chover. eu deixo meu computador de lado e vou observar o espetáculo da varanda da casa da minha avó. não consigo ficar no pc ou ver tv escutando o barulho da chuva. talvez porque eu ache uma grande falta de educação não prestigiar todo o esforço que o céu faz pra chover, talvez porque tire minha concetração mesmo. o fato é que eu gosto de tomar banho de chuva, e se eu não posso tomar banho, fico pelo menos olhando até que a chuva pare. e olhando a chuva foi interessante ver o mundo mudar. a rua virou um rio e eu já não conseguia mais ver os coqueiros da casa da frete. lá embaixo os motoristas passavam apressados com medo de se molhar e moleques brotaram do chão pra jogar bola na rua ou pólo no rio. um ciclista que desistira de lutar contra a água agora pedalava tranquilo, vendo o mundo tomar banho ao seu redor. ele nunca vai saber que eu o invejava por sua posição. o céu clareou a minha esquerda, mas a chuva não dava sinal de fraqueza. o vento fez o teto da varanda inútil, e molhou todo o chão. então, ao som de um último trovão, a chuva parou. o rio virou rua, os meninos evaporaram, eu vi os coqueiros. sem aplausos, o show acabou. voltei decepcionado da minha posição de espectador solitário, talvez único, lamentando o papel não conseguido no espetáculo. pelo menos a minha tarde molhada de sábado foi molhadinha. pelo menos a mesmice não foi total. e depois, choverá novamente.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

salvando a noite de quarta

victor matheus c. diz:*KKK
*ok
*EEEEEI,
*fui asediado hoje na auto escola! KKKKK
*ri demais.
Camilo Mateus diz:*CONVEEERSA
*conte
victor matheus c. diz:*uma mulher bem "quenga" sabe, aquelas bem escantalosas.
Camilo Mateus diz:*você tem um carro,
victor matheus c. diz:*dai ela vive fazendo barulho, cheguei meio atrasado, e adivinhe?! só tinha canto na FRENTE dela.
Camilo Mateus diz:*prepare-se pra isso
*e muito mais
victor matheus c. diz:
*o problema é: ela é mais velha que mãe KKKKK
*cheia de celulite D:
Camilo Mateus diz:*EK
victor matheus c. diz:*KKKK
*ainjá?
Camilo Mateus diz:*oshe
victor matheus c. diz:*só sei que quando o prof. virava ela pegava começava a me alisar, a me chamar de branco gostoso.
*o bom é ela contando as experiencias SEXUAIS dela! KKKKKKKKKK
Camilo Mateus diz:*eu disse pra você se preparar para o assédio, não para o assédio de mulheres bonitas
victor matheus c. diz:*ela contou que namorou com um branquinho carequinha, que ele só sentia prazer quando ela batia na careca dele.
*dai ela começava a fazer cenas e sons lá, gritando.
*foi uma resenha. ela ficou agarrando meus peitos O_O
*não que eu tenha, mas ela puxava ):
Camilo Mateus diz:*mentira, boy
*O_O
victor matheus c. diz:*má!
*graças a Deus, foi meu ultimo dia com ela ! :D
*OOOOOOOOME
*e a MELHOR DA NOITE!
Camilo Mateus diz:*KKKKKKKKKKK
*EITA QUE HOJE FOI FODA
*MELHOR QUE ESSA?
victor matheus c. diz:*KKKK
*MÁ!
Camilo Mateus diz:*VOU ATÉ ME AJEITAR AQUE
victor matheus c. diz:*o intrutor disse que na hora da prova ia ter MONITORES na sala. dai essa mulher que tava me agarrando perguntou: PROFESOOOOR , O QUE É MONITOR?
*dai a amiga dela do lado disse: mulher, deixe de ser lesada!
*monitos são CAMERAS!
Camilo Mateus diz:*KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK